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CNI

57% das empresas industriais adotam técnicas de economia circular, revela pesquisa da CNI

Por Agência de Notícias da Indústria - Publicado 01 de outubro de 2026

Estudo mostra que a reciclagem é a prática mais difundida na indústria brasileira, adotada por uma em cada três companhias


Segundo a Sondagem Especial da CNI, uma a cada três empresas (32%) afirma realizar reciclagem. Foto: Divulgação/CNI

Seis em cada dez empresas da indústria brasileira (57%) implementam ao menos uma prática de economia circular em seus processos produtivos. Os dados são da Sondagem Especial nº 102 – Economia Circular 2026, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que entrevistou mais de 1.600 industriais em todos o país. 

Nas grandes indústrias, a adesão chega a 66%; em seguida, as médias aparecem com 54% e as pequenas empresas com 43%. Entre os setores com o maior índice de adoção de práticas de economia circular estão equipamentos de informática e eletrônicos (86%); produtos de borracha (85%); celulose e papel (78%); calçados (76%); e biocombustíveis (75%). 

O superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, explica que a economia circular se consolidou como estratégia de eficiência operacional. “Quando quase 60% da indústria adota práticas circulares, vemos um compromisso claro do setor produtivo com a sustentabilidade. No entanto, o hiato entre grandes e pequenas empresas evidencia que precisamos de políticas públicas de apoio à transição tecnológica e capacitação das cadeias menores”, completa.

Reciclagem é a prática mais difundida entre as indústrias 

Recuperar o valor dos produtos e materiais tem sido a estratégia de circularidade mais difundida no setor industrial: uma a cada três empresas (32%) afirma realizar a reciclagem. Em seguida, destaca-se a logística reversa de produtos e embalagens (26%) e, na sequência, está a incorporação de recurso reciclado ou recuperado nos produtos (26%).  

Empresas acreditam que a economia circular contribui para a redução de gases de efeito estufa 

Entre as indústrias que adotam práticas de economia circular, 57% acreditam que suas ações contribuem para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Entre as que responderam, 64% são de grande porte, 53% são médias empresas e 46% são pequenas. 

Setores específicos, como biocombustíveis, produtos de borracha, bebidas e celulose e produtos de papel representam mais de 70% das indústrias que reconhecem a relação direta entre a adoção de práticas circulares e a redução das emissões de gases de efeito estufa.

A analista de Políticas e Indústria da CNI, Larissa Malta, explica que a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil ao Acordo de Paris reconhece a economia circular para além de uma política de gestão de resíduos, integrando-a aos objetivos de mitigação do país para o alcance da meta de neutralidade climática até 2050. 

“Esses dados reforçam a percepção crescente da indústria sobre o papel estratégico da economia circular na agenda climática. Ao promover a eficiência de recursos e o uso de biomateriais, o país reduz a intensidade de emissões de gases de efeito estufa no setor. Compreender se a indústria percebe essa relação torna-se fundamental para avaliar o grau de internalização dessas práticas como estratégia de mitigação nas agendas empresariais”, completa Larissa Malta.

Redução de custos e retorno financeiro são apontadas como benefício da Economia Circular

A sondagem também mostra que as indústrias relacionam a adesão às práticas de economia circular a ganhos econômicos, sendo que 40% apontam a redução de custos operacionais como o principal benefício esperado com a adoção de iniciativas de circularidade. Além da redução de custos, outros benefícios também se destacam na percepção das empresas. A melhoria da imagem corporativa aparece em segundo lugar, sendo mencionada por 31% das indústrias, seguida pelo estímulo à inovação em produtos, processos e serviços, apontado por 30% dos respondentes.

Davi Bomtempo explica que o desenvolvimento da economia circular está atrelado à inovação tecnológica, já que muitas das práticas dependem da criação ou aprimoramento de tecnologias capazes de transformar a forma como os recursos são utilizados, recuperados e reinseridos nos sistemas produtivos. 

“Tecnologias mais avançadas permitem, por exemplo, desenvolver produtos mais duráveis, reparáveis e facilmente desmontáveis, além de melhorar processos de separação, reciclagem e reaproveitamento de materiais. Dessa forma, a inovação tecnológica não apenas viabiliza tecnicamente muitas soluções circulares, como também contribui para aumentar sua eficiência e reduzir custos, o que torna a economia circular mais competitiva e escalável no contexto industrial”, destaca. 

Se por um lado 40% das empresas que praticam a economia circular já colhem frutos financeiros, por outro, 46% ainda não sabem como medir o impacto direto desses investimentos no faturamento. 

“Os dados podem refletir tanto a dificuldade de mensuração desses benefícios quanto o fato de que muitos ganhos da economia circular se manifestam de forma indireta ou no médio e longo prazo, como maior eficiência no uso de recursos, redução de desperdícios, fortalecimento da imagem institucional e criação de novas oportunidades de mercado”, completa Bomtempo.

Desafios para avanços na Economia Circular 

O analista de Políticas e Indústria da CNI, Marcello Lira Doudement, explica que a pesquisa foi estruturada em três grandes blocos para mapear as barreiras ao investimento em economia circular: obstáculos econômicos, desafios  tecnológicos e de inovação e entraves culturais, com foco na perspectiva que a indústria tem do mercado consumidor. 

No campo econômico, a ausência de demanda por produtos circulares e as elevadas taxas de juros figuram como os maiores obstáculos, citados por 25% das empresas, acompanhados pela falta de isonomia tributária entre materiais reciclados e virgens, apontada por 23% do setor. 

No âmbito tecnológico, a viabilidade econômica das soluções necessárias representa a principal barreira para 30% das indústrias, enquanto nas pequenas empresas a ausência de mão de obra qualificada, com 21%, lideram os entraves internos.

No cenário cultural, a ausência de demanda sentida pela indústria conecta-se diretamente ao comportamento e à falta de conhecimento do consumidor final percebido por 37% dos industriais e, também, pela percepção negativa do consumidor final sobre produtos circulares, com 21%. 

“Ao conectarmos as barreiras da pesquisa, fica evidente que o custo do crédito é um dos principais problemas para a modernização. Sem linhas de financiamento acessíveis, é difícil para o setor produtivo assumir os custos iniciais de novas tecnologias de economia circular”, afirma Doudement. 

Para destravar o avanço da economia circular no Brasil, o setor industrial defende uma atuação governamental focada em criar previsibilidade e incentivos adequados. Entre as medidas econômicas prioritárias, quase metade dos empresários solicitam incentivos econômicos, tanto para a criação de infraestruturas de reciclagem e logística reversa (47%), quanto para projetos de inovação em circularidade (46%).

Sondagem Especial de Economia Circular 2026.pdf(1,7 MB)

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