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CNI apresenta visão da indústria para a agenda climática da COP31

Por Agência de Notícias da Indústria - Publicado 07 de outubro de 2026

Documento define prioridades em financiamento, combate ao protecionismo climático e adaptação industrial para a Conferência na Turquia, em novembro


Foto: Shutterstock

Em contagem regressiva para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), que acontece em novembro, na Antália, Turquia, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quarta-feira (7), os principais pontos que estarão no Visão da Indústria para a COP31, documento que apresentará as diretrizes do setor produtivo para as negociações globais. O material define prioridades em financiamento público e privado, mitigação do protecionismo comercial e metas de adaptação industrial para a conferência na Turquia.  

O presidente da CNI, Ricardo Alban, destaca que a indústria nacional é o grande motor da transição para a economia de baixo carbono, mas alerta que a eficácia desse movimento depende de financiamento e de um ambiente de negócios internacional equilibrado.  

"A indústria brasileira não é apenas parte da solução para a crise climática. Ela é o verdadeiro motor da transição para uma economia de baixo carbono. Na COP31, em Antália, o mundo precisa dar o passo definitivo da promessa para a implementação prática e mensurável”, afirmou Alban.  

O superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, afirma que o objetivo da Confederação é reafirmar o compromisso de contribuir ativamente para a agenda climática internacional.  

“Para a CNI, fortalecer a implementação de ações climáticas que permitam reduzir emissões e adaptar os setores industriais é o caminho para a transição da economia de baixo carbono. Como interlocutora do setor industrial, queremos construir consensos para identificar as ações necessárias que impulsionarão o progresso diante da implementação do Acordo de Paris”, explicou.  

Conheça as prioridades do setor produtivo para a agenda climática da COP31 

1. Meta Global de Adaptação (GGA): Preparando a Infraestrutura e as Cidades para o Clima 

A COP30 aprovou 59 indicadores globais para medir a adaptação a eventos climáticos extremos, mas o impasse em Bonn sobre quem financiará a execução (com necessidades estimadas de até US$ 387 bilhões anuais) empurrou a decisão final para a COP31. 

  • Posição da Indústria: A CNI pede que as metodologias considerem o impacto real no setor produtivo e propõe que o Brasil lidere a testagem prática dos indicadores, integrando-os ao Plano Clima e à plataforma IndicaClima, com suporte financeiro e capacitação internacional. 

2. Financiamento Climático: Como Fechar a Conta do Acordo de Paris? 

A meta aprovada na COP29 prevê a mobilização de US$ 300 bilhões ao ano até 2035 (com aspiração global de US$ 1,3 trilhão). No entanto, há um embate diplomático: países em desenvolvimento exigem recursos públicos e doações (Artigo 9.1), enquanto economias desenvolvidas querem focar na captação privada. 

  • Posição da Indústria: A CNI defende a diversificação de fontes e a atração de capital privado por meio de mecanismos nacionais como o EcoInvest Brasil, BIP e Fundo Clima, sem que isso exima os países desenvolvidos de suas obrigações do Artigo 9.1. A prioridade é reduzir barreiras burocráticas e diminuir o custo de capital para a descarbonização industrial. 

3. Programa de Trabalho de Mitigação (MWP): Descarbonização sem Punição 

Criado para acelerar o corte de emissões, o programa opera sob o mandato de ser voluntário, não prescritivo e soberano. A ausência de consenso nas negociações levou o Brasil a liderar roteiros globais paralelos para conter o desmatamento e promover a transição justa longe dos combustíveis fósseis. 

  • Posição da Indústria: O setor produtivo defende manter o caráter voluntário e não punitivo do programa, vinculando qualquer meta a incentivos reais de financiamento e transferência tecnológica. Sustenta uma transição energética gradual e economicamente viável, que valorize soluções maduras já disponíveis no Brasil, como os biocombustíveis, e impeça a criação de novas barreiras comerciais. 

4. Comércio e Clima: A Luta Contra o Protecionismo Verde 

As negociações na ONU passaram a abordar diretamente o impacto de medidas comerciais unilaterais, como a taxa de carbono na fronteira europeia (CBAM) e a lei antidesmatamento da UE (EUDR). Países em desenvolvimento denunciam que tais regras aumentam custos de conformidade e funcionam como restrições disfarçadas ao comércio. 

  • Posição da Indústria: A CNI cobra transparência e o reconhecimento do princípio de interoperabilidade — para que políticas ambientais brasileiras sejam reconhecidas internacionalmente sem discriminação. Defende também o uso do Subcomitê do Acordo UE-Mercosul para assegurar o reconhecimento da agricultura e da indústria de baixo carbono. 

5. Global Stocktake (GST2): Da Promessa à Ação Concreta 

A COP31 marca o início do segundo ciclo do Balanço Global (GST2), que avaliará o progresso do Acordo de Paris até 2028. O processo ocorre sob alerta do PNUMA de que a meta de conter o aquecimento em 1,5°C não será atingida no curto prazo. 

  • Posição da Indústria: O setor privado quer que o GST2 vá além do diagnóstico e destrave o financiamento necessário para tirar as metas do papel. A indústria defende o reconhecimento da diversidade de trajetórias tecnológicas, valorizando a conservação das florestas nativas e a coexistência de diferentes fontes renováveis na matriz energética. 

6. Agenda de Ação e SB COP: Soluções Empresariais em Escala 

A Agenda de Ação da COP31 mobiliza governos e empresas em metas voluntárias até 2035. Essa mobilização é impulsionada pela Sustainable Business COP (SB COP), rede presente em mais de 120 países com alcance a 55 milhões de empresas. 

  • Posição da Indústria: O setor produtivo assume compromissos em eixos estratégicos da nova economia:  
  • Industrialização Verde: Elevar para 15% a taxa de uso circular de materiais até 2035. 
  • Transição Energética: Aumentar a participação da eletricidade no consumo industrial para 35% até 2035. 
  • Mecanismo BRIDGE: Expandir a estruturação de carteiras de projetos sustentáveis prontos para investimento (finance-ready). 

Patrocinadores 

O evento é promovido pela CNI em correalização com o Conselho Nacional do SESI, com o apoio do Instituto Amazônia+21 e da Facility de Investimentos Sustentáveis, além do patrocínio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Samarco, Aegea, MBRF, Vale, da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).  

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