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CNI

Conselho da Agroindústria discute defesa comercial e impactos do cenário internacional

Por Agência de Notícias da Indústria - Publicado 01 de outubro de 2026

Promovida pela CNI, reunião do Coagro recebeu dirigente da ANIP, que expôs preocupação do setor de pneus diante do aumento da entrada de insumos importados


O Conselho Temático da Agroindústria (Coagro) se reuniu nesta quarta-feira (30) para debater mecanismos e ações de defesa comercial e impactos do cenário internacional para a agroindústria do país. Durante o encontro, os conselheiros discutiram o acordo de cooperação técnica firmado recentemente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para fortalecer a competitividade internacional das empresas brasileiras. 

Convidado do encontro, o presidente executivo da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), Rodrigo Navarro, falou sobre as preocupações do segmento. Segundo ele, nos últimos anos a indústria de pneus vem enfrentando uma crise devido ao aumento da participação de produtos importados no mercado de pneus de passeio e carga.  

De março de 2019 a março de 2026, a participação passou de 31% para 69%. De acordo com a associação, esse cenário tem resultado em demissões nas fábricas, paralisações de linhas de produção, reduções de turnos, férias coletivas, excesso de estoque de borracha natural nas usinas e produtores trocando seringueiras por outras culturas. Para alertar sobre o problema, a ANIP lançou um manifesto, assinado por mais de 45 entidades que apoiam propostas para enfrentar a crise e reverter a situação. 

O presidente do Coagro, Pedro Robério de Melo Nogueira, destacou que o pneu é um insumo muito sensível à indústria de maneira geral e fundamental para os maquinários agrícolas. Ele destacou que entre as propostas do setor para reverter o quadro crítico apresentado pela ANIP, um dos principais pontos é a expectativa de aprovação do marco legal da política industrial (PL nº 4133/2023), que pode trazer um ambiente regulatório positivo para o desenvolvimento de acordos comerciais.  

O superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, afirmou que o momento reúne urgência e oportunidade. “A indústria precisa repensar seu modo de agir em relação à inserção nos mercados externos. A CNI tem uma posição cada vez mais consolidada de estar nesse processo de aperfeiçoamento com a base industrial, de defesa e de fortalecimento da indústria nacional como um todo. Quando a gente olha a exposição da nossa pauta de comércio exterior, com a importação e a exportação muito concentradas em poucos segmentos, isso revela uma vulnerabilidade muito grande da nossa economia a certos movimentos geopolíticos e outras complexidades”, destacou o superintendente. 

O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, reforçou a necessidade de unidade do setor industrial em defesa da competitividade e da isonomia. “Temos um grande dever que é o de tentar traduzir os prejuízos dessa crise e do fechamento de indústrias para o país, independentemente do setor afetado”, destacou.  

Acordo prevê medidas para enfrentar aumento de barreiras comerciais 

O acordo de cooperação técnica firmado pela CNI e MDIC reúne ações voltadas à ampliação das exportações, diversificação de mercados, defesa comercial, internacionalização empresarial e melhoria das condições de acesso a mercados externos. A iniciativa busca aproximar as capacidades técnicas e institucionais do governo e do setor produtivo para enfrentar um cenário de comércio internacional marcado pelo aumento de barreiras comerciais e mudanças nas cadeias globais de produção.  

Para isso, estabelece quatro eixos de atuação: governança, diálogo e articulação institucional; produção de conhecimento, inteligência e formulação de propostas; desenvolvimento e apoio à capacidade exportadora; e capacitação e desenvolvimento de competências.   

Entre as ações previstas está a criação de um grupo de diálogo sobre mecanismos de defesa comercial, além da realização de estudos e de diagnósticos, mapeamento de mercados estratégicos, criação de metodologias para diversificação das exportações e análises sobre sistemas de crédito, garantias e seguro à exportação. Outro foco da parceria será o fortalecimento da capacidade exportadora das micro, pequenas e médias empresas.   

“Trata-se de um conjunto de medidas imediatas de proteção dos setores afetados, com um avanço a médio prazo para uma diversificação do nosso mercado exportador e, a longo, para uma estratégia de inserção do setor externo como um verdadeiro eixo de desenvolvimento e de adensamento produtivo”, complementou Silveira.

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