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COP30 reforça o multilateralismo e consolida a indústria como parte da solução climática, diz CNI

Por Agência CNI de Notícias - Publicado 05 de março de 2026

Avaliação da conferência de Belém foi feita em encontro nesta quarta-feira (4); evento também apontou estratégias para a COP31, que acontece este ano, na Turquia


Foto: Michelle Fioravanti/CNI

Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas e desafios à cooperação internacional, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) foi apontada como um marco de retomada da confiança no diálogo entre as nações e de avanço na implementação de compromissos. 

A avaliação foi feita no evento "Pós-COP30: O papel da indústria na agenda de clima", realizado nesta quarta-feira (4), na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. O evento contou com a presença de representantes do setor público e privado para analisar os resultados da conferência de 2025, em Belém (PA), e discutir os próximos passos rumo à COP31, na Turquia.

Para o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, o sucesso do encontro na Amazônia superou desconfianças iniciais e reforçou a relevância do diálogo entre as nações. “A COP nos traz a esperança de que o multilateralismo não deve morrer. Que o multilateralismo é uma saída para o planeta mais justo e uma unidade com futuro”, afirmou Muniz. 

Segundo ele, a indústria deixou de ser vista como obstáculo e passou a se consolidar como parte fundamental da solução climática.

O legado de Belém: a COP da implementação

O vice-presidente da CNI e presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), Marcelo Thomé, classificou a COP30 como um "marco na história das conferências sobre o clima", destacando-a como a "COP da implementação".

De acordo com Thomé, o encontro buscou transformar compromissos em resultados concretos. Entre os avanços estão: o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, voltado a atrair investimentos para a conservação e a restauração desses ecossistemas essenciais à estabilidade climática; e a Coalizão Aberta dos Mercados Regulados de Carbono, iniciativa liderada pelo Brasil e apoiada pela União Europeia e por países como China, Canadá e México, com o objetivo de acelerar a descarbonização da economia e apoiar as metas climáticas nacionais.

"O combate ao aquecimento global exige cooperação e iniciativas coordenadas, realistas e ambiciosas. Ficou claro, ainda, que é preciso acelerar as ações e traçar um plano robusto para chegarmos à COP31 com realizações que contribuam para o cumprimento das metas climáticas", disse Thomé.

Ele ressaltou que, apenas na Amazônia, a descarbonização pode criar 312 mil empregos e adicionar R$ 40 bilhões ao PIB regional até 2050.

Já a secretária-executiva da COP30, Ana Toni, afirmou que um dos maiores legados foi a convergência entre os setores público e privado. "O Brasil chegou junto, público e privado, sociedade civil e movimentos sociais, para mostrar o país como um grande provedor de soluções climáticas.”

Segundo ela, o multilateralismo passou a operar em duas frentes complementares: o consenso entre países e a articulação por meio de coalizões, como a Sustainable Business COP (SB COP), lançada pela CNI para articular ações de sustentabilidade do setor privado e apoiar as negociações climáticas da ONU.

Indústria em ação: da escala global à execução local

A SB COP reuniu empresas de mais de 60 países em apenas um ano de existência, se tornando uma das principais iniciativas empresariais voltadas à agenda climática. Ricardo Mussa, chair da coalizão, comparou a estrutura criada a uma "Ferrari" que agora precisa ser explorada em toda sua potência. 

"O principal foco agora é como conseguimos implementar e influenciar mais”, disse, ao mencionar planos de criar uma "SB COP local" para fortalecer a atuação no Brasil.

O High-Level Climate Champion da COP30, Dan Ioschpe, reforçou que o setor produtivo não é apenas espectador da transição, mas protagonista, e que Belém deixou resultados práticos na agenda de ação. Para exemplificar, Ioschpe mencionou três resultados práticos da conferência: 

  • No setor elétrico, a Utilities for Net Zero Alliance elevou sua meta de investimentos para US$ 148 bilhões por ano, totalizando US$ 1 trilhão até 2030, com projetos estruturados para modernizar redes e apoiar a triplicação da capacidade global de energias renováveis, em linha com o Acordo de Paris.
  • Nos mercados de carbono, uma coalizão definiu princípios comuns para destravar US$ 50 bilhões anuais em financiamento climático, criando condições para que empresas integrem créditos de alta integridade às suas estratégias.
  • Na logística, Ioschpe destacou o projeto brasileiro Laneshift e-Dutra, que prevê a implantação de mil caminhões elétricos e infraestrutura de recarga no corredor Rio-São Paulo até 2030, com potencial de evitar 75 mil toneladas de CO₂ por ano. 

COP31: Turquia e Austrália no horizonte

As perspectivas para a COP31 apontam para a continuidade do trabalho iniciado em Belém. O embaixador da Turquia no Brasil, Halil Ibrahim Akça, afirmou que o país trabalha para que a próxima conferência também tenha foco na implementação, com prioridades em resiliência climática, economia circular e inovação verde. "A capacidade inovadora do setor privado desempenhará um papel fundamental", disse.

Parceira da Turquia na organização, a Austrália concentrará esforços na condução das negociações. A embaixadora australiana no Brasil, Sophie Davies, elogiou a diplomacia climática brasileira e ressaltou a importância de ouvir as nações do Pacífico. "A COP31 será, em última análise, julgada não pela retórica, mas pelos resultados", disse.

O evento foi encerrado com a sinalização de que a indústria brasileira pretende chegar à Turquia com entregas concretas, transformando a esperança no multilateralismo em estratégia permanente de desenvolvimento econômico e sustentabilidade.

CNI na COP30

A participação da CNI na COP30 contou com a correalização do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Serviço Social da Indústria (SESI).

Institucionalmente, a iniciativa foi apoiada pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), First Abu Dhabi Bank (FAB), Sistema FIEPA, Instituto Amazônia+21, U.S. Chamber of Commerce e International Organisation of Employers (OIE).

A realização das atividades da indústria na COP30 recebeu o patrocínio de Schneider Electric, JBS, Anfavea, Carbon Measures, CPFL Energia, Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Latam Airlines, MBRF, Pepsico, Suzano, Syngenta, Acelen Renováveis, Aegea, Albras Alumínio Brasileiro S.A., Ambev, Braskem, Hydro, Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Itaúsa e Vale.

Entenda o que é a Sustainable Business COP:

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