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CNI

El Niño aumenta risco de eventos extremos e desafia indústria no Brasil

Por Agência de Notícias da Indústria - Publicado 01 de outubro de 2026

INMET aponta risco de chuvas intensas, estiagens, ondas de calor e incêndios; protocolos do SESI e guia da CNI orientam empresas na proteção de trabalhadores e na continuidade das operações


Foto: Shutterstock

Chuvas intensas, alagamentos, deslizamentos, estiagens prolongadas, ondas de calor e condições propícias à propagação de incêndios florestais estão entre os eventos extremos que podem ganhar força no Brasil nos próximos meses, influenciados pelo El Niño. O alerta é do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), que destaca que os efeitos variam entre as regiões do país. 

Segundo o órgão, as projeções do Centro de Previsão Climática (CPC) indicam 98% de probabilidade de um El Niño muito forte até novembro e 75% de chance de que o episódio de 2026/2027 supere a intensidade dos registrados desde 1950, com anomalias de temperatura que podem ultrapassar os 2,5°C. 

“O que diferencia os impactos do El Niño em cada região do Brasil é a forma como o fenômeno modifica a circulação atmosférica de grande escala e como essas alterações interagem com os sistemas meteorológicos que atuam em cada região”, complementa a instituição.  

Para a indústria, esse cenário amplia os riscos para trabalhadores, instalações, logística, fornecimento de insumos e continuidade da produção. Para ajudar as empresas a se anteciparem a esses eventos, o Serviço Social da Indústria (SESI) disponibiliza protocolos para inundações, secas e queimadas, e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reúne, em um guia, orientações para incorporar os riscos climáticos às decisões sobre operações, investimentos e cadeias de suprimentos. 

“A chegada da primavera reforça um alerta que a indústria não pode ignorar. Já vimos eventos extremos comprometerem a segurança dos trabalhadores, interromperem operações e afetarem cadeias produtivas. Os protocolos de inundações e de secas e queimadas ajudam as empresas a se prepararem antes da emergência, organizarem a resposta e reduzirem os impactos sobre as pessoas e a produção”, alertou o diretor-superintendente do SESI, Paulo Mol. 

Consequências dos eventos extremos na indústria 

Os efeitos que esses instrumentos procuram antecipar são os que já foram sentidos na prática pela indústria brasileira. Nas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, os municípios afetados concentravam 47 mil das 51 mil indústrias gaúchas e 813 mil trabalhadores, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS). 

Além dos danos às instalações, a emergência dificultou o deslocamento dos trabalhadores, interrompeu rotas de transporte e comprometeu o fluxo de matérias-primas e produtos. Os aprendizados desse episódio passaram a integrar o protocolo de inundações, que também reúne experiências da atuação do SESI-RS durante a tragédia para orientar a preparação, a resposta e a retomada das atividades. 

Seca na Amazônia expôs fragilidade logística 

Em 2023, a Região Norte enfrentou uma seca severa, com efeitos sobre a produção, o abastecimento e a logística. A redução do nível dos rios comprometeu a navegação em trechos importantes da Amazônia e afetou o transporte de insumos e de mercadorias, especialmente em áreas dependentes do modal hidroviário. 

Na Zona Franca de Manaus, a queda histórica dos rios Negro e Solimões dificultou a chegada de matérias-primas e o escoamento da produção, o que resultou pressão dos custos e exigência de adaptações logísticas das empresas.  

O problema voltou a chamar a atenção em 2024, quando a persistência da estiagem reforçou os riscos associados à dependência dos rios para o funcionamento das cadeias produtivas. A escassez de água afetou a logística, comprometeu a irrigação, a produção agropecuária e a geração de energia, especialmente onde as hidrelétricas são importantes na matriz elétrica. 

Protocolos orientam preparação e resposta aos riscos 

Os protocolos foram desenvolvidos em parceria com o Conselho Nacional do SESI e o Ministério da Saúde. O primeiro, voltado a inundações, foi apresentado em 2025; o segundo, dedicado a secas e queimadas, em março deste ano. 

No caso das inundações, o ponto de partida é identificar onde a empresa está vulnerável. Isso envolve avaliar não apenas a possibilidade de a água atingir a planta, mas também os riscos para instalações elétricas, máquinas, áreas de armazenamento, vias de acesso, trabalhadores e logística. 

A partir desse diagnóstico, o protocolo orienta a elaboração de planos de resposta a emergências, com definição de níveis de alerta, rotas de evacuação, canais de comunicação, procedimentos de primeiros socorros e estratégias para a recuperação das operações. 

Para secas e queimadas, o acompanhamento considera os fatores como temperatura, umidade do ar, focos de calor, qualidade do ar, disponibilidade de água e proximidade do fogo. O protocolo estabelece níveis progressivos de prontidão, responsabilidades, canais de alerta e articulação com o Sistema Único de Saúde (SUS), a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros. 

Monitore a qualidade do ar 

O SESI também disponibiliza um painel de monitoramento da qualidade do ar, desenvolvido em parceria com a Sanofi. A ferramenta cruza informações sobre a qualidade do ar com indicadores do SUS e do INSS, ajudando a acompanhar possíveis impactos na saúde respiratória. 

Acesse o Painel de Monitoramento da Qualidade do Ar 

Para o presidente do CN-SESI, Fausto Junior, as mudanças climáticas são uma questão de saúde pública. "As emergências que vivemos nos ensinaram muito e precisamos usar esse aprendizado para proteger as pessoas antes que a situação se agrave [...] Queremos que esse conhecimento chegue às empresas e ajude a organizar uma atuação conjunta com o SUS, a Defesa Civil e os serviços de emergência. Precisamos estar preparados para cuidar das pessoas, enfrentar a emergência e apoiar a retomada segura das atividades”, afirmou.  

Baixe os protocolos:

Guia da CNI amplia foco para riscos regulatórios, tecnológicos e de mercado 

Em julho deste ano, a CNI lançou o Guia da Indústria para Adaptação à Mudança do Clima, que reúne orientações para incorporar os riscos climáticos às decisões sobre operações, investimentos e cadeias de suprimentos. O documento considera tanto os eventos extremos, quanto riscos relacionados às mudanças regulatórias, tecnológicas e de mercado associadas à transição para uma economia de baixo carbono. 

As recomendações se concentram inicialmente nas cadeias de óleo e gás, alimentos e têxtil e incluem medidas como adaptação de infraestruturas, eficiência e reúso da água, uso de informações climáticas no planejamento e adoção de tecnologias para reduzir impactos sobre a produção e o abastecimento. 

O guia orienta, por exemplo, que as empresas identifiquem fornecedores instalados em áreas sujeitas a riscos hídricos e térmicos e avaliem alternativas para evitar que a interrupção de um elo comprometa o fornecimento de insumos. 

Na logística, o documento recomenda diversificar rotas diante de situações como a baixa navegabilidade dos rios na região norte durante períodos de seca ou interrupções provocadas pelo excesso de chuvas no Sul. A água e a energia também são tratadas como recursos estratégicos para a continuidade das operações e para decisões sobre expansão e localização de ativos. 

O uso de dados climáticos de sistemas de monitoramento completa essa estratégia ao dar suporte a decisões mais antecipadas sobre produção, infraestrutura e cadeia de suprimentos. “As principais informações devem ser obtidas por meio dos sistemas oficiais responsáveis pelo monitoramento do clima e dos desastres que ocorrem no Brasil. Além disso, órgãos como a Defesa Civil e outras instituições oficiais responsáveis pelo monitoramento e gerenciamento de riscos e desastres devem ser considerados fontes prioritárias de informação, especialmente em situações de eventos meteorológicos extremos”, afirmou o INMET. 

Baixe o Guia da Indústria para Adaptação à Mudança do Clima

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