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CNI

Produtividade e inserção global das micro e pequenas empresas pautam seminário na CNI

Por Agência de Notícias de Indústria - Publicado 24 de setembro de 2026

Encontro reuniu especialistas e setores público e privado para discutir desafios e oportunidades no aumento da competitividade das MPEs


Na abertura do evento, o presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que é importante formular estratégias para a inclusão dos pequenos negócios nas cadeias globais de valor. Foto: Gilberto Sousa/CNI

O aumento da produtividade, a superação de entraves estruturais relacionados ao Custo Brasil e a inserção das micro e pequenas empresas nas cadeias globais de valor foram debatidos no 10º Seminário Pense nas Pequenas Primeiro, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), nesta quarta-feira (23).

Na abertura do evento, o presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que é importante formular estratégias para a inclusão dos pequenos negócios nas cadeias globais de valor.

"O sucesso e o destino dos mercados globais passam pela complementariedade das cadeias produtivas. Quando se fala disso se fala também das micro e pequenas empresas. Não adianta focar só na competitividade das grandes empresas, porque senão vamos ficar a reboque das cadeias produtivas internacionais de outros concorrentes", afirmou.

Professor de Economia na Universidade de Brasília (UnB), Jorge Arbache pontuou que o desenvolvimento industrial do Brasil passa não apenas pela redução do chamado Custo Brasil, que atrapalha a competitividade do setor produtivo, mas também por aproveitar as oportunidades que estão surgindo.

"É preciso olhar com uma visão prospectiva. Está em emergência um conjunto de novas cadeias de valor que privilegiam coisas que o Brasil pode produzir de forma muito competitiva, como o powershoring, energia limpa, minerais críticos e de transição, entre outros. Esses mercados, cujos preços relativos começam a aumentar em razão da escassez, abrem espaço para o Brasil se industrializar com base em vantagens comparativas".

Aumentar a produtividade é fundamental

A melhora da competitividade a partir das vantagens comparativas do país, no entanto, não virá sem o aumento da produtividade, destacou José Ronaldo de Souza, fundador e CEO da Quantivis Analytics. Ele destacou que, desde a década de 80, a produtividade do país ficou praticamente estagnada, o que preocupa em meio ao fim do crescimento demográfico e à baixa taxa de investimento do país. Nesse contexto, ele recomenda: "Essas empresas têm que melhorar a alocação dos recursos investidos em capital; aproveitar o aumento do grau de escolaridade para atenuar o problema demográfico; e saber como usar a difusão tecnológica e a Inteligência Artificial para aumentar a produtividade".

A preocupação com a questão da produtividade também foi compartilhada pelo ministro de Estado do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), Paulo Henrique Pereira. Ele ressaltou que muitas empresas têm dificuldade para crescer, inclusive por conta de barreiras legais. "Acho inevitável aumentar a faixa de faturamento [do Simples Nacional] nos próximos anos, corrigindo as transições e as distorções. Não podemos mais punir o sujeito que cresce e despenca numa tributação que inviabiliza o seu crescimento", exemplificou.

Para ele, também é preciso evoluir em outras frentes, como na participação das micro e pequenas empresas nas exportações brasileiras, hoje próximas a apenas 1% em valor, na diminuição da burocracia e na presença dos pequenos negócios nas compras públicas.

Samantha Ferreira, gerente de Desenvolvimento Produtivo da CNI, explicou que as compras públicas equivalem a cerca de 12,5% do PIB e que, por isso, têm potencial para mudar positivamente a estrutura produtiva. No entanto, alguns problemas precisam ser superados, pondera. "Um dos obstáculos mais básicos é o entendimento dos processos licitatórios, ou seja, a dificuldade de concorrer para conseguir ser um fornecedor da compra pública. Por parte do setor público, falta estruturar e planejar melhor essas compras.  A falta de previsibilidade é pior para as pequenas".

Confira mais fotos do evento, clique Aqui.

Adaptação ao novo sistema tributário exige estratégia para as empresas do Simples

Os painelistas também debateram como as empresas de micro e pequeno porte podem se preparar para o novo sistema tributário. Uma das principais preocupações dos empresários é a decisão quanto ao regime de recolhimento de tributos, ou seja, se permanecem no Simples Nacional "puro" ou se vão para o regime híbrido, em que a CBS e o IBS serão pagos separadamente.

O diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Mario Sergio Telles, ressaltou que a reforma tributária trará uma série de impactos positivos para esse segmento, desde o crescimento da economia, passando pela redução da cumulatividade, até o aumento da eficiência na apuração e no pagamento de impostos. Para ele, a decisão das empresas em relação ao regime de recolhimento de tributos, irá depender, em geral, da posição de cada negócio na cadeia produtiva.

“Quase todas as empresas situadas no meio da cadeia vão estar numa melhor situação se optarem pelo regime híbrido do Simples Nacional. Para a que está na ponta e vende para o consumidor final, não tenho dúvida que é melhor ficar no Simples puro. Há situações em que a empresa vende para o consumidor e para outras empresas e aí tem que fazer um cálculo detalhado [antes de fazer a opção de regime].”

Ângelo de Angelis, consultor e auditor fiscal aposentado da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz/SP) recomenda que, inicialmente, todas as empresas do Simples optem pelo regime híbrido. "Depois que as alíquotas dos novos tributos forem divulgadas, o empresário pode fazer as contas e ver se vale a pena migrar de um regime para o outro de fato". 

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