
Do primeiro trator de esteiras a escavadeiras operadas remotamente, a Caterpillar acumulou uma série de inovações em 100 anos de trajetória. A fabricante norte-americana, que se instalou no Brasil em 1954, tem um portfólio que abrange equipamentos para construção e mineração, motores a gás natural e diesel fora-de-estrada, turbinas a gás industrial e locomotivas diesel-elétricas.
Você provavelmente já viu uma máquina amarela da marca em alguma obra por aí. O que você não imagina é que esse equipamento gigantesco, que pesa até 40 toneladas, pode ter mais tecnologia embarcada que um automóvel. Em 1996, a Caterpillar já tinha um veículo autônomo que ia de um ponto a outro.
Os veículos autônomos são capazes de se locomover sem a presença de um motorista humano, com o auxílio de inteligência artificial, sensores, radares e câmeras.
Nas últimas três décadas, acompanhando o salto de conectividade e de automação de máquinas e sistemas, a empresa avançou nos quesitos segurança e na complexidade das tarefas que a máquina executa.
Em mais uma edição do programa Conhecendo a Indústria, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizou uma visita ao parque fabril da Caterpillar em São Paulo para mostrar a representantes do Executivo e Legislativo como a empresa tem utilizado a inteligência artificial e outras tecnologias para se manter competitiva.
Máquinas de até 40 toneladas operadas remotamente
Instalada em Piracicaba, a unidade é a maior em extensão e diversidade de linhas de equipamentos da marca no mundo, destaca a diretora de Assuntos Governamentais e Corporativos, Andrea Park. “O Brasil é uma das operações mais antigas da Caterpillar. Exportamos para mais de 70 países”, detalha a diretora.
Entre os produtos fabricados em Piracicaba estão as escavadeiras autônomas, operadas remotamente por um motorista que pode estar a milhares de quilômetros de distância. Sozinha, a máquina mapeia a área com um visor 2D e 3D, além de reunir e exibir num painel as informações do terreno e do próprio veículo, como indicador de nível do piso (longitudinal e transversal), temperatura e nível de combustível.
Segundo Sérgio Paranhos, coordenador comercial da SITECH Brasil, braço tecnológico da Caterpillar, a condução autônoma acontece graças ao sistema de telemetria, que mede e comunica remotamente os dados por meio de sensores que coletam as informações e as transmitem, sem fio, para uma central de monitoramento.
O sistema é altamente preciso na medição e nos movimentos e praticamente não tem delay, que é o atraso entre o comando e a execução da tarefa. “Para garantir a segurança, em caso de perda de sinal, o equipamento automaticamente para. E, se o operador remoto se levantar ou fizer algum movimento diferente na cadeira, um sensor instalado na cadeira faz com que a máquina também pare”, completa Paranhos.
Automação no produto e na produção
O coordenador destaca ainda que a análise em tempo real das informações permite não só maior precisão e segurança no controle, como otimização da tomada de decisões - o que deve acontecer, cada vez mais, de maneira automatizada com uso de inteligência artificial.
Mas não é só nas máquinas produzidas pela Caterpillar que tem muita tecnologia embarcada. Se as escavadeiras já chamam atenção pelo peso, tamanho e eficiência, imagina a fábrica. Tudo é grandioso. O gerente de Relações Governamentais e Institucionais, Alexandre Vitti, lembra que a Caterpillar tem 114 mil funcionários em todo o mundo, sendo 7 mil no Brasil – desses, 5,2 mil trabalham na fábrica de Piracicaba.
Entre os mais de 50 projetos de digitalização que estão sendo implementados na unidade, estão os de automação dos processos de pintura e de fabricação dos chassis, além do sistema de estocagem das 20 mil peças distribuídas na planta para montagem das máquinas.
“Muitos dos processos já são implementados nas fábricas da Ásia e precisamos correr para ter a mesma eficiência e não perder competitividade. Atualmente, temos mais de 30 robôs, sendo as áreas de solda e pintura as mais automatizadas. E já utilizamos IA na gestão”, conta Frederico Balloni, gerente de Estratégia e Engenharia Avançada da Caterpillar.
Investimentos em P&D e regulamentação da IA
De acordo com Vitti, a empresa investe cerca de 5 milhões de dólares por dia em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Além de desenvolver as soluções, a Caterpillar atesta a efetividade. Um estudo comparativo das escavadeiras tradicionais com as que utilizaram os sistemas com visor 2D e 3D provou que, com o sistema 2D, as máquinas trabalham 12% mais rápidas e, com os sistemas 3D, há ganho de 29% não só na velocidade, como também redução de combustível.
Na visita proporcionada pelo programa Conhecendo a Indústria, a advogada da CNI especialista em IA, Christina Aires, lembrou da importância de entender as diferentes aplicações na indústria da inteligência artificial, cuja regulamentação está em análise no Congresso Nacional. A Caterpillar é um exemplo de como a tecnologia impulsiona a produtividade e melhora a segurança dos trabalhadores, uso bem distinto das aplicações de alto risco previstas no Projeto de Lei que usam dados pessoais e podem impactar nos direitos fundamentais.
“É necessário incluir no PL a conceituação do baixo risco e os respectivos critérios de exceção ao alto risco, de forma a adequar a proporcionalmente à carga regulatória e de fomento. Fazendo uma analogia com um sinal de trânsito, no PL, o sinal só possui luzes vermelhas e amarelas, indicando os riscos vedados e o alto risco. É necessário incluir a luz verde do baixo risco, como existe na regulação europeia”, compara.