
Nos laboratórios, nos dados clínicos, nos modelos de sustentabilidade e nos bastidores do desenvolvimento de novos produtos, mulheres pesquisadoras estão redesenhando o futuro da indústria brasileira. Um exemplo dessa transformação está na parceria do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), por meio do Programa Inova Talentos, e a Natura. Lá, a ciência aplicada se traduz em resultados concretos, para o negócio, a pesquisa, os consumidores e a sociedade.
Em dezembro de 2025, a empresa estava com 33 pesquisadores bolsistas do programa, e no mesmo ano, 13 profissionais foram efetivados. Esse movimento ganha ainda mais força quando observado sob a lente de gênero. Atualmente, 72,5% dos bolsistas e egressos efetivados do Inova Talentos na Natura são mulheres.
Desde 2013, a Natura aposta no Inova Talentos como motor estratégico de pesquisa, desenvolvimento e inovação e durante esse período a farmacêutica Caroline Costa conseguiu criar um pouco do seu legado como bolsista e pesquisadora na empresa. Egressa do programa e agora pesquisadora no time de eficácia clínica instrumental, ela transformou sua linha acadêmica em inovação aplicada ao consumidor.
Ciência aplicada com impacto real
Um dos projetos emblemáticos conduzidos no contexto do programa, com a participação da Carolina, resultou na criação de uma plataforma científica dedicada a reivindicações das consumidoras de pele negra.

Segundo ele, o diferencial está na complementariedade dos perfis. Os bolsistas não apenas reforçam as equipes internas, como também ampliam o repertório científico da empresa e alimentam um pipeline contínuo de talentos. “Hoje já ultrapassamos 220 projetos executados em diferentes unidades, como Cajamar, em São Paulo; e Benevides, no Pará. Atuamos majoritariamente em PD&I, especialmente no desenvolvimento de produtos, onde essa oxigenação de perfis gera máximo valor”, exemplifica.
O Inova Talentos tem ajudado a empresa a alimentar um motor que vai desde o desenvolvimento de novas metodologias até a descoberta de bioativos e aplicações em produtos. Para o engenheiro, o legado vai além da entrega. “Hoje já efetivamos o total de 69 pesquisadores advindos do programa”, destaca Thadeu.

Ele ainda aponta que a quantidade de mulheres egressas do Inova Talentos demonstra grande mobilização interna. "Nós já temos um link com o gênero feminino maior, mas aqui dentro da Natura temos elas como líderes ativas que desenvolvem programas de destaque", pontua.
Sustentabilidade, dados e decisão estratégica
No Brasil, as mulheres já representam mais da metade dos estudantes de graduação e pós-graduação em ciência e tecnologia e respondem por cerca de 50% das publicações científicas nacionais, segundo informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Ainda assim, desafios estruturais persistem, especialmente na ascensão a posições de liderança e na transformação do conhecimento científico em inovação aplicada.
Programas como o Inova Talentos ajudam a reduzir essa distância ao criar pontes reais entre formação acadêmica, indústria e mercado. Na Natura, esse movimento se traduz em resultados mensuráveis: mais diversidade nos times de PD&I, maior velocidade no desenvolvimento de produtos, soluções alinhadas às demandas reais dos consumidores e um destaque especial para a sustentabilidade.
É nesse campo que atua Ana Carolina Lucareli, engenheira ambiental e bolsista de mestrado do Inova Talentos na Natura. Vencedora do Prêmio IEL 2025 na categoria de melhor projeto, ela integra o time de sustentabilidade da empresa.

No projeto Painel da Natura, Ana Carolina trabalha no desenvolvimento de uma ferramenta metodológica que conecta balanços financeiros aos impactos socioambientais. “Conseguimos mensurar, em termos monetários, os impactos positivos e negativos das atividades da empresa sobre o meio ambiente e a sociedade”, a pesquisadora explica que isso cria uma bússola estratégica que indica quais projetos têm maior retorno e quais precisam de mais inovação.
Para ela, a experiência no programa amplia não apenas a prática profissional, mas também a visão sobre o papel da ciência dentro das empresas. “Participar do Inova Talentos me mostrou que existe, sim, interesse das indústrias em pesquisadores. Esse encontro entre academia, ciência e empresa acelera a inovação e amplia horizontes de carreira”, finaliza.
Mais do que histórias individuais de sucesso, o que se constrói é um ecossistema onde ciência feminina, inovação e estratégia industrial caminham juntas; e mostram que investir em mulheres na pesquisa não é apenas uma questão de equidade, mas de competitividade.
Sobre o Inova Talentos
O Inova Talentos é um programa do IEL realizado em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). A iniciativa envolve os regionais do IEL em todos os estados brasileiros e concede bolsas de pesquisa a graduandos, graduados, mestrandos, mestres, doutorandos e doutores para atuação em projetos de inovação em empresas de diferentes setores.
Com mais de 1.200 projetos desenvolvidos e cerca de R$ 150 milhões investidos em PD&I, o programa já impactou diretamente a competitividade industrial brasileira. Segundo dados do IEL, 75% das empresas participantes relatam maior agilidade na concepção de novos produtos ou serviços e utilizaram o Inova Talentos como ponte estratégica entre ciência, indústria e inovação.
