
O Ministério da Defesa apresentou nesta segunda-feira (23), durante a 27ª reunião do Conselho de Desenvolvimento da Indústria de Defesa (Condefesa), catálogo inédito da base industrial de defesa brasileira, reunindo 154 empresas e 364 produtos do setor.
A publicação, disponível em versões digital e impressa, foi elaborada em português e inglês com o objetivo de ampliar a visibilidade internacional da indústria nacional e facilitar sua inserção em mercados externos.
O material consolida capacidades tecnológicas e produtivas do país em um momento de reconfiguração das cadeias globais e aumento da demanda por equipamentos de defesa. O secretário de produtos de defesa do Ministério da Defesa, tenente brigadeiro Heraldo Luiz Rodrigues, explica que a iniciativa funciona como uma vitrine estratégica para o país. “Essa é uma forma de apresentar o Brasil para o restante do mundo e ampliar as oportunidades de negócios”, explicou.
Modelo “gov to gov” ganha espaço
Durante a reunião, também foi destacada a Portaria nº 1.456, publicada em 12 de março de 2026, que incentiva o modelo de negócios conhecido como government to government (gov to gov). Nesse formato, as negociações são realizadas diretamente entre governos, sem a intermediação comercial tradicional, o que tende a reduzir riscos contratuais e aumentar a previsibilidade das operações.
Na prática, o modelo permite que o Estado brasileiro atue como facilitador e garantidor de contratos firmados entre empresas nacionais e governos estrangeiros. A iniciativa é estratégica para o setor de defesa, onde compras envolvem altos valores, sensibilidade estratégica e exigências de segurança e confiança institucional.
A adoção mais estruturada do “gov to gov” pode ampliar a presença internacional da indústria brasileira ao tornar suas ofertas mais competitivas frente a países que já utilizam esse mecanismo, como Estados Unidos e França.
A expectativa é que a combinação entre o novo catálogo e o fortalecimento dessas relações institucionais abra espaço para novos acordos e parcerias no exterior, além de ajudar a posicionar o país de forma mais estratégica neste contexto geopolítico mais sensível.
