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Fim da escala 6x1: setor produtivo jamais se recusa a discutir, diz presidente da CNI

Por Agência CNI de Notícias - Publicado 12 de fevereiro de 2026

Em entrevista ao programa WW, da CNN, Ricardo Alban disse que proposta de mudança deve considerar produtividade e impacto sobre pequenas e médias empresas


Foto: Iano Andrade / CNI

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou nesta quarta-feira (11), em entrevista ao programa WW, da CNN, que o setor produtivo está aberto ao diálogo. Porém, ele ressaltou que a discussão sobre alteração na escala de trabalho 6x1 e redução do limite semanal de trabalho precisa ocorrer de forma “responsável, sustentável e comprometida com o Brasil”.

Para Alban, qualquer avanço em ganhos sociais deve ser pautado por premissas e métricas claras, e não apenas por posicionamentos favoráveis ou contrários à proposta, especialmente em ano eleitoral.

O desafio da baixa produtividade

Um dos principais entraves apontados pelo presidente da CNI é a realidade da produtividade brasileira, reconhecidamente uma das mais baixas do mundo. Segundo dados citados por Alban, o crescimento médio da produtividade por trabalhador no Brasil foi de apenas 0,2% ao ano entre 1988 e 2024. Embora seja a 10ª economia do mundo, o país ocupa a 100ª posição em produtividade por trabalhador e a 91ª em produtividade por horas trabalhadas, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Segundo Alban, os números revelam um hiato que precisa ser enfrentado para que novas obrigações trabalhistas não comprometam o futuro econômico do país.

Impacto nas pequenas e médias empresas

A principal preocupação, para o presidente da CNI, recai sobre as pequenas e médias empresas. Com base em dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Alban questionou como esses negócios conseguiriam absorver o aumento do custo da hora trabalhada decorrente da mudança na escala e redução da jornada estabelecidos pela legislação trabalhista.

“A própria pesquisa do IPEA mostra que a medida vai atingir principalmente as pequenas e médias empresas, que representam 52% da capacidade de trabalho. Então, como vamos ocupar essa mão de obra se estamos falando hoje que o Brasil tem pleno emprego?”, questionou Alban.

O presidente da CNI afirmou ainda que, apesar do cenário de pleno emprego, existe um contingente de brasileiros dependente de programas sociais que precisa de requalificação para ingressar de forma digna no mercado de trabalho formal.

Eficiência pública e déficit

Alban defendeu que o debate também inclua a eficiência do setor público. Segundo ele, as despesas de pessoal estão entre os principais fatores de pressão sobre o déficit público e a redução da jornada exigiria novas contratações, o que poderia ampliar o problema fiscal do país.

“O trabalho dignifica a pessoa”, afirmou o presidente, defendendo que o foco deve estar na busca por soluções que conciliem sustentabilidade econômica e avanços sociais.

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