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CNI

IA e cibersegurança ampliam demanda por novas competências na área de Defesa

Por Agência de Notícias da Indústria - Publicado 19 de agosto de 2026

Estudo da CNI, ABDI e FIA-USP mostra que profissionais precisarão combinar conhecimento técnico com adaptabilidade, atenção seletiva e estabilidade emocional


Foto: Shutterstock

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Fundação Instituto de Administração, da Universidade de São Paulo (USP), lançaram nesta quarta-feira (19) os Cadernos Prospectivos da Base Industrial de Defesa (BID).

A publicação reúne oito estudos que mapeiam as transformações tecnológicas, organizacionais e ocupacionais em segmentos estratégicos da indústria de defesa nos próximos anos. O material também identifica as competências necessárias para os profissionais que atuarão nesse novo cenário e apresenta recomendações para aproximar a formação profissional das demandas da indústria. 

Os estudos contemplam os seguintes segmentos: aeroespacial; munições, propelentes, explosivos, mísseis e foguetes; armas e equipamentos de controle de tiro; plataformas militares marítimas e fluviais; plataformas veiculares militares terrestres; defesa cibernética; sistemas C4ISTAR (rede integrada de comando, controle, comunicações, computadores, inteligência, vigilância e reconhecimento); e uniformes militares. 

Com base no modelo de prospectiva industrial, que combina análise e estimativas de difusão tecnológica e organizacional e análise de impacto ocupacional, os cadernos identificam mais de 120 tecnologias emergentes e os novos perfis profissionais que devem ganhar protagonismo nos próximos anos para absorvê-las.

O material também apresenta recomendações para aproximar a formação profissional das demandas da indústria, contribuindo para decisões estratégicas em qualificação de pessoas, infraestrutura tecnológica, políticas públicas e desenvolvimento de talentos. 

Os estudos mostram que a transformação da Base Industrial de Defesa é impulsionada por um conjunto de tecnologias que atravessa praticamente todos os segmentos analisados. Inteligência artificial, cibersegurança e engenharia digital estão entre os principais vetores dessa mudança. 

Os cadernos apontam para uma reconfiguração da organização do trabalho diante da difusão de tecnologias emergentes e dos eventos de impacto previstos para os próximos anos.

Nesse contexto, atividades tradicionalmente concentradas em processos operacionais tendem a evoluir para funções mais voltadas à integração de sistemas, análise de dados, tomada de decisão e gestão de ambientes cada vez mais complexos e conectados.

Essa transformação deverá ampliar a demanda por profissionais com visão sistêmica, competências digitais e capacidade de integrar diferentes conhecimentos e áreas de atuação. 

Conheça o conjunto de competências e os principais conhecimentos, habilidades e aptidões que serão cada vez mais necessários para os profissionais:  

Os estudos também destacam que já existe uma migração de uma indústria predominantemente baseada em plataformas físicas para uma Base Industrial de Defesa cada vez mais caracterizada como um ecossistema digital, conectado, inteligente e intensivo em conhecimento. 

"A transformação da Base Industrial de Defesa não exige apenas novos conhecimentos técnicos. Ela demanda uma reconfiguração simultânea dos conhecimentos que estruturam a formação, das habilidades que sustentam a execução do trabalho e das aptidões que permitem atuar em ambientes caracterizados por elevada complexidade, integração tecnológica e incerteza. À medida que os sistemas de defesa incorporam inteligência artificial, automação e digitalização, cresce o valor estratégico das capacidades humanas que permanecem insubstituíveis: interpretar, integrar, decidir, adaptar-se e agir com responsabilidade", explica o gerente do Observatório Nacional da Indústria, Rafael Sousa.  

A publicação chama atenção também para os desafios que o país deve enfrentar diante desta nova realidade: dependência tecnológica externa, financiamento insuficiente e irregular, fragmentação da cadeia produtiva, escassez de competências e vulnerabilidades cibernéticas.

Em contrapartida, são apontadas oportunidades também. Acompanhar essas tendências podem promover ao país inovação tecnológica, fortalecimento da soberania tecnológica, ampliação da cooperação entre empresas, governo e instituições de ensino, desenvolvimento de talentos e fortalecimento da defesa cibernética. 

“Fortalecer a Base Industrial de Defesa significa preparar a indústria brasileira para as transformações que já estão em curso e para aquelas que ainda virão. Com esses cadernos, transformamos conhecimento e visão de futuro em inteligência para orientar políticas públicas, investimentos e decisões empresariais. Estamos falando de setores intensivos em tecnologia e conhecimento, fundamentais para a soberania do país e com grande capacidade de gerar inovação para toda a economia. Antecipar tecnologias, identificar as competências que precisaremos desenvolver e compreender nossas vulnerabilidades é essencial para construir uma indústria de defesa mais competitiva, resiliente e menos dependente de capacidades externas”, afirma o presidente da ABDI, Olavo Noleto. 

O material servirá como referência no apoio a empresas, instituições de ensino, formuladores de políticas públicas e demais atores do ecossistema da defesa na preparação para as transformações que devem marcar a próxima década. 

Indústria de defesa brasileira amplia alcance

Dados do Ministério da Defesa apontam que as exportações da Base Industrial de Defesa cresceram 29% no primeiro semestre deste ano, atingindo US$ 1,8 bilhão em autorizações para exportação. Os produtos brasileiros já chegaram em 150 países por meio de 130 empresas exportadoras.  

Atualmente os principais itens vendidos ao exterior são aeronaves e componentes, explosivos, bombas, armamentos leves, munições e serviços de engenharia ligados a produtos de defesa de alto valor agregado. A Base Industrial de Defesa e Segurança representa hoje 3,41% do PIB do país.

Foto: Augusto Coelho / CNI

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