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SESI define diretrizes para atendimento de alunos da educação inclusiva

Por Agência CNI de Notícias - Publicado 19 de setembro de 2023

Documento é um guia para implementação de ações nas escolas da rede e conta com formulários de acompanhamento para atender estudantes com deficiência, superdotação e TEA


“Somos o que somos, inclassificáveis” é o que canta Ney Matogrosso na música Inclassificáveis, de autoria de Arnaldo Antunes. O verso do refrão traz um dos princípios de uma educação inclusiva: reconhecer a singularidade humana, sem rótulos. Pela primeira vez, para acolher essas diferenças em todas as salas de aula, o Serviço Social da Indústria (SESI) lança um documento orientador com diretrizes com o intuito de que a comunidade escolar possa desenvolver práticas educacionais inclusivas.  

O guia “Educação Inclusiva nas escolas da rede SESI” foi feito de acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e é composto por ações para acolhimento de pessoas com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA), superdotação ou altas habilidades. A proposta é que toda a rede SESI utilize o guia e adapte as orientações à realidade da escola. O documento pode ser acessado neste link.  

Além desse primeiro passo, o SESI prepara um curso de educação inclusiva pela Unindústria e a oferta de uma pós-graduação sobre o tema em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG)

Como construir uma escola hospitaleira 

Para construir uma escola que acolha a todos, é preciso seguir algumas premissas. As recomendações do SESI para implementação de uma educação inclusiva são: 


Saiba aqui os 8 passos para garantir uma educação inclusiva

O documento orientador conta também com formulários de anamnese de matrícula e acompanhamento do aluno. A anamnese é o diálogo estabelecido entre um profissional e o aluno especial com o objetivo de ajudá-lo a lembrar de situações que podem estar relacionadas a sua condição e necessários para o seu desenvolvimento e sua vivência escolar. 

Algumas das perguntas dos formulários são: se o aluno prefere brincar sozinho ou com amigos, se precisa de ajuda para fazer alguma atividade e se gosta de ir à escola. Há também no guia uma lista de produtos de tecnologia assistiva, que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência, como mouses adaptados ou aparelhos que envolvem a palma da mão para auxiliar na digitação.  

O documento foi lançado durante a primeira edição do Seminário Internacional de Educação Inclusiva SESI, que ocorreu de 24 a 26 de agosto. A escola SESI Reitor Miguel Calmon, em Salvador (BA) abriu as portas para o evento.  

Antes do lançamento, as especialistas em educação inclusiva Maria Teresa Eglér Mantoan, Rosângela Machado e Kátia Marangon, gerente do Centro SESI de Formação em Educação, participaram da palestra “A escola hospitaleira". O SESI convida que todas as escolas da rede sejam acolhedoras, a partir das diretrizes apresentadas no documento orientador.  

Maria Teresa Mantoan explicou que hospitalidade significa “abrir a porta da escola para todos os alunos”. Denominar a escola inclusiva como hospitaleira, para ela, é entender o que de fato se quer quando se fala em educação inclusiva. 

Maria Teresa Eglér Mantoan, doutora em educação pela Universidade Estadual de Campinas, ministrou a palestra "A escola hospitaleira"

“Gozar da convivência escolar não pode continuar sendo um privilégio dos que preenchem pré-requisitos para estar conosco.  A escola é um lugar que se não for aberto a todos nega a sua própria função”, disse.  

A professora Rosângela Machado também acredita que a escola deve ser aberta a todos, sem distinção. É a experiência escolar que dá sentido ao ser humano, e a aprendizagem ajuda o aluno a viver tudo isso mesmo que o resultado não seja atingido de imediato, pois cada um aprende de acordo com a sua singularidade.  

A professora Rosângela Machado também participou da palestra de encerramento do Seminário Internacional de Educação Inclusiva SESI

“A aprendizagem não é esse nicho de quem sabe e quem não sabe, porque esse não é o fim”, pontuou. “Uma criança com deficiência é muito mais que sua deficiência.” 

Antes de tudo, é preciso entender o contexto 

Para a elaboração do documento, o SESI realizou um estudo com o intuito de conhecer a realidade das escolas da rede e o cenário da educação inclusiva. Foram utilizadas diferentes metodologias de coleta de dados, como visitas presenciais, entrevistas virtuais, questionários enviados aos gestores dos Departamentos Regionais nas cinco regiões do Brasil e análise documental. Ao todo, foram 1.061 respostas, representando 11,7% dos educadores do SESI.  

A partir do estudo, constatou-se que a maioria das escolas da rede já tem experiências educacionais inclusivas e que 88% dos professores já tiveram contato com os fundamentos legais, históricos e pedagógicos do tema. Porém, é necessário criar redes de apoio, parcerias e oferecer formação continuada, que será ofertada pela Unindústria.  

Tudo se constrói a partir das experiências 

Além da pesquisa, a construção do documento também contou com a consultoria de Denise de Oliveira Alves, professora e coordenadora do Núcleo de Acessibilidade da Universidade Federal de Goiás. Denise relatou que foram feitas visitas in loco em diversas escolas do Espírito Santo, Santa Catarina e Bahia, além de encontros on-line com outras unidades. 

Para ela, é preciso conhecer a realidade das escolas antes da criação de qualquer diretriz. Foram feitos mapeamentos de matrículas, dos recursos de acessibilidade e conversas para entender onde a rede de ensino se encontrava quanto à inclusão.  

Denise lembrou também que todo o documento orientador segue um respaldo legal, mas que a educação inclusiva se implementará de fato a partir de adaptações.  

“A inclusão vai acontecer em cada região, cada escola e cada ambiente de acordo com a sua especificidade. Certamente o que acontece no SESI Reitor Miguel Calmon, na Bahia, é diferente do que acontece em outra região, por exemplo”, ponderou. “Porém, existe um aporte conceitual e legal que não podemos fugir.” 

Kátia Marangon é gerente do Centro SESI de Formação em Educação

Kátia Marangon, gerente do Centro SESI de Formação em Educação, concordou que essa união com outros estados para a construção do documento orientador foi fundamental. Segundo Kátia, todas as ações foram pensadas “no professor e em como ele pode se qualificar e ter conhecimento para desenvolver atividades inovadoras dentro das escolas”. 

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