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Como a inovação ocorre na indústria

Por Agência CNI de Notícias - Publicado 28 de junho de 2019

Exemplos bem-sucedidos revelam a importância de investimentos

Você já imaginou usar um molho a base de acerola, beterraba e abóbora como substituto do ketchup? Desenvolvido por estudantes da Universidade Federal do Ceará (UFC) e colocado no mercado a partir de uma parceria entre a universidade e a empresa Frutã, o produto Natchup, que usa os três ingredientes, foi premiado em outubro do ano passado no Salão Internacional de Alimentação (Sial), realizado em Paris (França). Lá recebeu o selo Innovation Sial 2018, reconhecimento que abre portas no mercado internacional e pode, ainda, estimular as vendas domésticas.

“Tinha mais de 7.000 expositores lá e apenas dois produtos brasileiros receberam o selo. Esse reconhecimento causou uma reviravolta nas nossas vidas”, afirma Ana Patrícia Diógenes, uma das sócias da Agroindústria de Frutas Tropicais Diógenes, que atua com o nome comercial Frutã. “Mais do que uma inovação, esse produto é gostoso e saudável”, destaca. Segundo ela, cada porção de 10 g (uma colher de sopa) possui 8 calorias, 67,3 mg de vitamina C e 9,9 mg de vitamina A. Além disso, não possui conservadores e tem validade de seis meses. 

A aliança entre a universidade e a empresa começou no início da pesquisa. Ana Patrícia conta que estava em busca de produtos inovadores quando se deparou com a ideia dos estudantes de graduação Bárbara Denise, Carolinne Filizola e Thiago Tajra. Eles queriam desenvolver um produto saudável e funcional, rico em vitamina C e livre de defensivos agrícolas, que seria uma alternativa ao ketchup, muito popular entre jovens. A base veio com a acerola, antioxidante rico em vitamina C, abundante no Ceará, diz ela, cuja empresa exporta polpas pasteurizadas de 20 tipos de frutas.

A abóbora entrou para dar a consistência, além de ser rica em fibras. A beterraba é um corante natural, além de também ser antioxidante. Foram 22 alterações depois da parceria universidade-empresa até chegar à formulação final, voltada para a comercialização de um molho consistente, vermelho-alaranjado e levemente adocicado, comercializado atualmente em sete estados. Depois de apresentar o Natchup em São Paulo, em maio, Ana Patrícia quer fazer a divulgação do produto em feiras nos Estados Unidos, em Portugal, na Alemanha e em Macau.

A participação da Frutã em eventos no exterior conta com o apoio do programa Rota Global, executado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e com o Sindicato das Indústrias da Alimentação e Rações Balanceadas no Estado do Ceará (SindAlimentos), associado ao Sistema Indústria. A Frutã comercializará o Natchup durante cinco anos, de acordo com a parceria firmada com a UFC, onde foi desenvolvido por estudantes e professores do curso de Engenharia de Alimentos. O ketchup natural é o primeiro produto licenciado pela UFC.

COSMÉTICOS - Com sabor semelhante ao do amendoim, o baru é uma castanha nativa do cerrado brasileiro com alto valor nutricional e cujas propriedades são usadas também na indústria cosmética. O óleo é utilizado na recuperação de cabelos danificados, proporcionando hidratação, restauração, brilho e maciez. Na pele, esse óleo hidrata, estimula a regeneração celular, atenua marcas de estria, tem ação oxidante e ainda combate os radicais livres e o envelhecimento precoce.

Também rica em antioxidantes, a castanha-do-Pará, outro produto tipicamente brasileiro, ajuda a reduzir o risco de aterosclerose e a baixar o colesterol. Foi a partir desses dois insumos que a Biodiversité, instalada em Londrina (PR), produziu um esfoliante natural. Criada em 2009, a empresa foi construída com base no diferencial da inovação tecnológica e sustentável, usando nanotecnologia verde baseada nos biomas brasileiros, diz Renan Cuenca, diretor-executivo da empresa.

“O nosso DNA é trabalhado com inovação. A Biodiversité vai buscar no mundo inteiro as melhores tecnologias, justamente para ofertar ao mercado um diferencial, um produto que tenha um desempenho acima da média. Fomos ganhadores do prêmio Finep da categoria de pequena empresa”, afirma Cuenca.

Segundo ele, a empresa investe, anualmente, de 10% a 15% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento e participa, ainda, dos projetos e editais de inovação. Atualmente, exporta os seus pigmentos para a França, o Japão, a Tailândia, a Coreia do Sul, a Itália e os EUA.

Parte de uma multinacional atuante nos mercados globais de energia e gás, presente em mais de 30 países, a Enel Brasil tem se destacado pela oferta de produtos inovadores, como a digitalização da rede no estado do Rio de Janeiro. A marca da inovação também está presente no modelo de negócios da empresa, que fornece energia a 17 milhões de clientes no Rio, no Ceará, em Goiás e em São Paulo.

Uma das ações mais bem-sucedidas da companhia é o Ecoenel, projeto que permite aos consumidores trocar resíduos por bônus na conta de energia. Desde o início do programa, em 2006, foram arrecadadas cerca de 54 mil toneladas de resíduos recicláveis, que resultaram em R$ 9,2 milhões em bônus na conta de energia dos clientes da Enel nos quatro estados em que a empresa opera por meio de distribuidoras de energia. O programa surgiu como um projeto de P&D na distribuidora de energia da Enel no Ceará (Enel Distribuição Ceará).

“É um projeto completo, pois atende aos eixos da sustentabilidade (ambiental, social e econômica), com criação de valor compartilhado para todos os envolvidos. Além de permitir a destinação correta dos resíduos para a reciclagem, o programa exerce sua função social e econômica, na medida em que ajuda o cliente a pagar a sua conta de luz com os bônus concedidos com os resíduos”, afirma Márcia Massotti, diretora de Sustentabilidade da Enel no Brasil.

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